domingo, 24 de novembro de 2013

CIRANDINHA

Queria escrever um poeminha
que fosse um passarinho,
um tico-tico.
Para brincar no telhado
e correr no quintal.
Então à noitinha,
quando me viesse a tristeza,
meu poeminha cantaria.


domingo, 17 de novembro de 2013

VALÉRIA
(Hideo Yahiro)

Bom seria fosse todo dia
um dia ensolarado de outono
para que minha mente sempre sempre
se enternecesse espontânea e sensível...
Ah! Lá vem o urso panda!
E o poeta ensimesmado fica alegre assim!
Pois vem lá do bambual
que inda balouça balouça
e senta em relva livre livre
e papa folhas de bambu
como se o Tibé fosse aqui
neste solo tropical.

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Bem que eu queria fosse todo dia
um dia de outono ensolarado
a fim de que este tolo espírito
se enternecesse espontâneo e sensível.
Ah! Lá vem o urso panda!
E o poeta ensimesmado fica alegre assim!
Pois vem lá de um labiríntico bambual
que ainda, barulhento, balouça,
ávido, de não sei o quê.
Mas quando se aproxima da relva plana,
Livre do insípido vento,
liberto de todo resto de nada,
senta na grama resoluto
e papa folhas de bambu,
como se o Tibete fosse aqui
neste solo tropical.



Obs.:  O poema apresenta variações, a versão de cima tem título e, pelo que sei, é mais antiga. 

domingo, 10 de novembro de 2013

POR DO SOL DE OURO PRETO

Quantas dores
do Aleijadinho?
Quantos mortos
no Morro da Forca?
Quantos pecados
em cada freguesia?
Quantos fantasmas
sob o calçamento?

O sino bate
na carne dos homens.
O passado escorrega
pelas ladeiras.
Sombras e árvores
de pedra e fogo.
Igrejas e casas
de ferro e sangue.

Dezoito horas:
as cores se empurram
no céu meio azul,
meio rosa, meio laranja.
O dia derrete
atrás dos morros,
como os sonhos
de ouro.

Dezoito e trinta:
os morros de Minas devoram a vida
e a noite devora os morros de Minas.