sábado, 27 de abril de 2013




o morto
enterrado
na cova

não sente
o toque
das formigas

nem ouve
o canto
do sabiá

nem vê
seu corpo
apodrecer

o morto
enterrado
na cova

está matando
a fome
da terra

está tingindo
as folhas
de verde



sexta-feira, 12 de abril de 2013


SOBRE O POSSÍVEL
(Hideo Yahiro)
           
Caminhemos.
Não em busca do graal, esmeraldino vaso que envasilha nosso destino.
Caminhemos nus num animado e amimado nonsense, o não-destino.
Natureza e olhos esmeraldas não mais nos fascinam.
Só facínoras em campos de papoulas faxinando corpos
com membros decepados e genitálias molhadas.
Fascínio do facínora é caminhar a um horizonte ametistino,
onde não só a cabecinha é roxa.
Caminhemos, pois, pois depois do ainda quando não há porquê.
Não havendo porquê e não sendo senão nós, nus, em caminho ao
                                                                                                     [ametistino
nada há a não ser caminharmos.

                                                                                           
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Caminhemos.
Não em busca do graal,
esmeraldino vaso que envasilha nosso destino.
Caminhemos nus num animado e amimado nonsense,
o não-destino.
Natureza e olhos esmeraldas não mais nos fascinam.
Só facínoras em campos de papoulas
faxinando corpos com membros decepados
e genitálias molhadas.
Fascínio do facínora é caminhar a um horizonte ametista,
onde não só a cabecinha é roxa.
Caminhemos, pois, pois depois do ainda quando não há porquê.
Não havendo porquê e não sendo senão nós, nus,
em direção à ametista,
nada há a não ser caminharmos



Obs.: Também este poema apresenta duas versões. Pelo que sei, a de cima é mais antiga. Publico ambas.