segunda-feira, 12 de dezembro de 2016




PARA UM IRMÃO QUE SE FOI POR CONTA PRÓPRIA

I
a vida não tem graça
vamos brincar de morrer

vamos brincar de forca
na árvore da vida

vamos com calma
vamos dançando

vamos pedalar
para além da vida

sem filosofias
sem desespero

vamos pedalar
sem olhar para trás

vamos pela estrada
da deslembrança


II
dança menino
vai dançando

atravessa brincando
a fronteira da vida


 III
deitado no mato
no meio da noite

debaixo da lua
no pé da palmeira

o vento lambendo
a  testa da mata

folhas caindo
dança das sombras


IV
quanta beleza
na música dos bichos

na brisa leve 
no perfume da terra

como é belo
o chamado do vazio

  
V
fecha os olhos
abraça o vento

dorme
meu irmão

o canto dos pássaros
não te despertará


VI
meu irmão
mora na mata

meu irmão
dorme na mata

e vai virando pó
e vai virando pedra

e vai virando saudade
e vai desvirando homem





Um comentário:

  1. este poema, faz menção, com respeito, ao ar insondável,
    àquele lugar bacana onde se possa acabar,
    àquilo que não mais se quer,
    à vida que não tem sentido,
    a tudo que um dia cansa,
    e eu fico aqui matutando,
    tentando pensar sobre
    onde eu um dia vou
    esconder o corpo
    que a vida não
    vai mais ter

    saudades de vc, amigo (snif)

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