sábado, 24 de novembro de 2012



SOBRE O ADULTO
Hideo Yahiro


Eriçai-vos, pêlos meus!
Como a rubra crina do crédulo potro
vendo o pútrido valo dos maculados cavalos
graças ao casto castiçal.

Cegai-vos, olhos meus!
O vento da vida não vela pelas velas pueris.
O vento da vida faz do potro cavalo e ao valo escuro o leva.
Rumores das ferraduras sem rumo
chapinhando... chapinhando... chapinhando...
chafurdando-se.

Ensurdecei-vos, ouvidos meus!
O vento da vida não sopra para sempre.
No fim do valo, o vácuo, o vão.
Asfixia.

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TORNAR-SE UM ADULTO
Hideo Yahiro

Eriçai-vos, pêlos meus!
Como a rubra crina do crédulo potro
vendo o pútrido valo dos maculados cavalos
graças ao casto castiçal.

Cegai-vos, olhos meus!
O vento da vida não vela pelas velas pueris.
O vento da vida faz do potro cavalo
e ao vale escuro o conduz.
Rumores das ferraduras sem rumo
chapinhando... chapinhando... chapinhando
chafurdando-se.

Ensurdecei-vos, ouvidos meus!
O vento da vida não sopra para sempre.
No fim do valo, o vácuo, o vão.
Asfixia.



Nota: o poeta Hideo Yahiro vive num mundo impenetrável, “a meio passo do pútrido valo dos maculados cavalos”. Alguns dos seus poemas apresentam pequenas variações, como este, sendo assim, resolvi publicar as duas versões que conheço. O poema de cima é anterior ao de baixo. Eu, que sou mais que suspeito, prefiro a versão de cima, mas pode ser porque tenho muito mais tempo de convivência com ela.   

domingo, 11 de novembro de 2012