sábado, 13 de agosto de 2016

CORDEL DO DELEGADO POETA

Quinta-feira de manhã
Que me veio a novidade,
Delegado deu patada
No couro da autoridade.
Reinaldo Lobo seu nome.
Riacho Fundo a cidade.

O preso no meio da cela,
Seu crime? Receptação.
Ladrão de motocicleta
Apodrece na prisão,
Como se fosse poeta
Na doutrina do Platão.

O inquérito da ocorrência
Vai para a promotoria.
É costume corriqueiro
Em qualquer delegacia
Relatar um ocorrido
Conforme a burocracia.

Até aqui vai tudo bem,
Rotina do dia-a-dia,
Se não fosse o Doutor Lobo
Incorrer em rebeldia,
Relatando a detenção
Em forma de poesia.

Essa eu nunca tinha visto,
Mas se mantém o ditado:
A lei nunca é para todos.
Se repete o velho fado.
Proletário é quem trabalha.
Burguês manda no estado.
  
Bandido veste gravata.
Assalta, mata, decreta.
Tem riqueza e capital.
Acumular é sua meta.
Isso todo mundo sabe.
Mas delegado poeta?

Então lanço desafio:
Dr. Lobo, se tens magia,
Como em teu verso foi dito,
Se tu amas a poesia.
Vai prender o bom burguês
Que me rouba a mais valia.



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