segunda-feira, 27 de junho de 2011

Caixinha de surpresas


Criatividade se desenvolve em banco de escola. A arte de matar o tempo nasceu no colégio. Só não se sabe ao certo se foi numa aula de matemática ou de química. Mas pode ter sido nos laboratórios de algum curso profissionalizante. É provável que as palavras cruzadas tenham semelhante origem. Isso para não falar das técnicas de cola, assunto para futuras crônicas.

Quais são as duas principais preocupações da maioria dos alunos (homens)? Simples. Futebol, garotas e passar de ano (Quase esqueci deste último item. Sintomático!). E isso não deve se alterar nos próximos séculos, nem na barbárie e nem no socialismo, principalmente no Brasil, o que reforça o argumento dos defensores da idéia de natureza humana. Por que nenhum filósofo demonstrou a existência da natureza humana a partir desse exemplo banal? Simples. Ou porque não havia futebol na Grécia. Ou porque não existem filósofos no Brasil, o que reforça o argumento de Roberto Gomes.  

O tempo é tinhoso. Não passa nas aulas de matemática, mas depois... Quando saímos do colégio... A melhor forma de perceber que envelhecemos é reencontrar os colegas de escola. No Brasil até os espelhos são cordiais, à la Sergio Buarque de Holanda. Eles escondem a queda de cabelos, as rugas e por aí vai. Mas quando nos enxergamos nos nossos ex-colegas a coisa é diferente. Neste país de almas cordiais algumas expressões são portadoras da peculiaridade lingüística de expressar exatamente o seu contrário. É o caso da frase “você não mudou nada”, muito comum nos reencontros de colegas de escola. O sentido correto é: que barriga, ficou careca, credo...

Mas isto é crônica ou tratado filosófico? Que seja crônica. Se não acabo refutando a hipótese de que não há filósofos no Brasil. Sejamos cordiais. Esqueçamos a questão da natureza humana, voltemos para o futebol, as escolas e os reencontros.

Alunos homens só pensam em meninas e futebol. Certo? Criatividade se aprende na escola. Correto? Está montada a equação. Seria uma questão de tempo para algum moleque talentoso ter a idéia de juntar mulheres e futebol. Isso aconteceu num colégio técnico de São Paulo.

A principal vantagem do invento foi a economia lingüística e gramatical. A possibilidade de expressar o que realmente importa com máxima precisão é fantástica. Some-se a isso a importância estratégica de falar das meninas sem que elas percebessem, pelo menos era o que os inventores imaginavam. Como havia muitas aulas técnicas e poucas de conhecimentos gerais e humanos, a professora de português não teve tempo de explicar que a língua é aberta e pertence aos falantes. Mas esse fato de grandes conseqüências não é relevante por enquanto. O importante é que se aquele colégio técnico não produziu capítulos para a história da engenharia e dos processamentos de dados, no campo da lingüística os avanços foram maiores.

Exemplificando. As mais belas pernas da sala eram as da Fernandinha (Fê). E isso não é cordialidade. Que fique claro. Quando ela passava entre as carteiras um olhava para o outro, todos respiravam fundo e alguém comentava:

- Que alas! Que laterais! Atacam e defendem. Aí é Júnior e Leandro da Copa de 82.

Ao que outro respondia:

- Não. Não. Aí é Carlos Alberto Torres e mais um. Ou então é Cafu e Roberto Carlos dos bons tempos. Melhor. É coisa dos Santos, é  Djalma e Nilton.

Houve outras tantas inovações. Verbos com forte carga de machismo como pegar e comer foram substituídos por sentenças não menos carregadas de preconceito. Por exemplo:

- E a menina da praia? Fez o gol?

- Opa. Driblei toda a zaga, o goleiro e fui pra rede.

O problema é que esses comentários eram sempre ideológicos, soluções imaginárias para contradições reais. Pura falsa consciência (no sentido do primeiro Marx). Pequenas mentiras do tipo das que são imprescindíveis para lubrificar as engrenagens sociais. Falsidades de classe, nesse caso a dos alunos do sexo masculino do colégio técnico.

Na verdade eles só faziam gols de mão e na pequena aérea dos banheiros, las manos de la necessidad. Fingiam melhor que o Maradona na Copa de 86. Como ninguém conhecia a menina da praia, não dava para confirmar os feitos. Mas esses tentos nem juiz ladrão validaria.

Para os leitores mais novos pode parecer absurdo, mas era uma época em que se emprestava revista de mulher nua, e com elas eram feitos milhares gols de mão. E não só. Era comum trocar a Playboy da atriz da novela por um trabalho de física ou por uma ajuda em química.

E a vida seguia. A barriguinha mais sensual da turma era a da Karina (Ká). Nas aulas de educação física ela dava um nó na camiseta deixando o umbigo para fora. Os garotos suspiravam:

- Caramba! Que meio de campo. Sócrates, Zico e Falcão. Que elegância. Que formosura. Aí é Gerson, Rivelino e Tostão.

E alguém continuava:

- Parece a meia canja do Palmeiras dos anos 90. Aí é Rivaldo e Djalminha.

As aulas de educação física eram as mais inspiradoras. Quando a Jack colocava a bermuda de ginástica... Ninguém ficava indiferente:

- Que bunda! Digo... Que retaguarda! Isso que é linha de zaga. Aí é Márcio Santos e Aldair. Ou então Gamarra e mais um. Pronto. Gamarra e Franco Baresi. 

- Nada! Essa retaguarda joga com três beques: Gamarra, Franco Baresi e Franz Beckenbauer de líbero.

A Jack era unanimidade. Falar qualquer coisa contra a linha de zaga da Jack implicava em ser suspeito de marcar gols contra, que era como eles definiam os maiores inimigos, como o professor de matemática e os caras da outra turma. E tome politicamente incorreto.

Os seios mais notados eram os da Drika. Que ponteiros. Que ponta de lança. As comparações e metáforas eram inevitáveis. Para uns parecia o ataque da França de 1958, com Piantoni, Kopa e Fontaine. Para outros a Drika parecia o Santos de Pelé, Coutinho e Pepe.

Enfim, os anos passam, a escola acaba, vêm os casamentos, as separações, caem os cabelos e todos os anos os colegas se reencontram em algum barzinho. Dá última vez apenas os separados e solteiros estiveram presentes. As esposas, maridos e namorados vetaram os comprometidos. Então só puderam comparecer a Fê, a Ká, a Jack, a Drika e quatro rapazes (já quase senhores). A formação de quatro casais em potencial foi obra do acaso. Os reencontros de colegas de escola são caixinhas de surpresa.

A forma física deles deixava a desejar, não era o caso delas, pelo contrário.  Quando a Fê chegou, sentou e cruzou as pernas um dos colegas até mudou de assunto:

- Mas o Roberto Carlos ainda joga? E o Cafu?

O decote da Drika fez um dos presentes citar o Santos de 2010:

- Nossa! Que que é isso? Robinho, Neymar e Ganso. Não tem pra ninguém!

As cervejas iam e vinham. A Jack apareceu. Quando ela virou e puxou uma cadeira um deles comentou:

- Mas quem foi que disse que o Brasil não tem zagueiros. E o Djalma Dias? E o Luís Pereira? E o Domingos da Guia? As melhores linhas de zaga são as nossas. Um brinde para os nossos beques!

Palmas. Todos os presentes do sexo masculino aplaudiram e concordaram.

O papo seguiu. As metáforas deles continuaram cada vez criativas. As cervejas iam e voltavam. Até que a Fê, a Ká, a Jack e a Drika trocaram olhares e foram ao banheiro. Eles aproveitaram a oportunidade e falaram sem metáforas:

- E a Ká? Vocês viram? Tá com a mesma barriguinha fofinha. Aquele ex-marido dela, hein? Pra largar a Ká o cara tem que ser doido. Ou então vai ver que ele gosta de fazer gol contra. É hoje que eu dou uns beijinhos naquele umbiguinho. Hum. Hum. Delícia.

Outro respondeu:

- É hoje que eu belisco o bumbum da Jack! Ai jesus!

Eles riram fartamente e nem desconfiavam que naquele exato momento as meninas falam deles no meio do banheiro.

A Fê olhou para a Drika e disse: 

- Sempre a mesma conversa. Não muda. Vão reencarnar duzentas vezes e nada. Que carma. Vão da Hungria de Puskas à Holanda de Cruyff, mas mulher? Nada!

A Drika concordou e completou:

- Pois é. Sempre essa conversa furada. Falam do Barcelona e jogam que nem a seleção do Dunga, só na retranca, só toque de lado. Tipo o Zinho enceradeira na copa de 94. Tipo time do Muricy.

A Ká entrou na conversa:

- A gente vem, lança um charme e nada. A bola fica pingando na área e ninguém chuta. Esses caras são mais devagar do que o Ronaldo Fenômeno no fim da carreira. Ficam só na retranca. É zero a zero na certa.

Quem encerrou o diálogo foi a Jack:

- Meninas, vamos pedir a conta e cair fora. O negócio deles deve ser gol contra.


JC

domingo, 19 de junho de 2011

Um craque de São Januário

No final dos anos noventa assisti grandes embates do meu Palmeiras contra o Vasco de Juninho Pernambucano, Ramon e outros. Perdemos o Brasileirão de 1997, ganhamos na Libertadores de 1999, perdemos novamente na Mercosul de 2000. Vitórias e derrotas se condensaram na minha memória, foram arquivadas em alguma sala empoeirada e pouco visitada do meu cérebro. O que me marcou realmente naquele Vasco foi seu habilidoso lateral esquerdo, que despontava.


Felipe começou nas quadras de futebol de salão de São Januário, aos cinco anos de idade, aos dezenove estreou como profissional. Talvez por ter surgido junto com o meia Pedrinho (outro canhoto talentoso), ou talvez por mania de retranca de algum treinador, Felipe se projetou como lateral, recuado. Sua principal característica é o drible, como pode ser visto no vídeo 1, abaixo. Como Mané, ou pelo menos como a maioria das imagens que restaram do gênio das pernas tortas, Felipe dribla “parado”, pára na frente do marcador e finta para o lado, só que para a esquerda. É como se a “paradinha” fosse um pequeno intervalo para chamar a atenção do público. Como numa tourada, toureiro e touro param, se encaram, o animal dá o bote, o homem se esquiva, ohhh, olé, faz-se a alegria do povo (e registre-se: no futebol a alegria se faz sem sacrifícios absurdos). Enfim, o drible de Felipe é amplamente conhecido, um corte seco para a esquerda, o que ninguém explica é a impossibilidade de parar o driblador.


Um driblador é um anarquista sempre disposto a subverter a ordem e a causar o colapso das retrancas e sistemas defensivos, abrindo espaços na marra. A burocratização ameaça os dribladores, a mediocridade tenta se preservar isolando e afastando o talento. O futebol virou um servidor público, com bigode, camisa para dentro da calça e cartão de ponto. O Brasil passou a importar talentos argentinos, chilenos e de outros países latinos. Mas há sempre algum moleque disposto a rasgar os expedientes e despachos do futebol servidor público, Felipe entre estes, é o maior driblador que vi em ação.


Depois do Vasco, Felipe passou por Palmeiras, Flamengo, Fluminense e foi para o Catar, ficou distante, inacessível por aqui, mas não sem chamar atenção por aquelas bandas. Tempos depois ele reapareceu no seu clube de origem, o Vasco. Os anos passam, caem os cabelos, os músculos perdem a potência. Felipe não é mais o mesmo driblador dos primeiros momentos. Mas o tempo é simples abstração para um craque, que sai fintando a cronologia. O driblador se transformou em um meia clássico, seus passes antialgébricos desconstroem equações e zagas, vide vídeo II. Com Felipe o lirismo rompe pranchetas e pilhas de papel do futebol servidor público, seus dribles e passes enfeitiçam e encantam.


JC


Vídeo I - Dribles



Vídeo II - Passes

domingo, 12 de junho de 2011

Futebol e silicone

Num mundo siliconado, o futebol não escapa da mediocridade. Os últimos campeonatos brasileiros foram desfiles de equipes de estufa e laboratório, com o pragmatismo e a estratégia espremendo o talento e a arte. Apogeu da caretice. Volantes. Zagueiros. Bolas paradas. Retrancas. Um contra todos, isolado no ataque. É sintomático que o goleiro seja o maior ídolo do clube tricampeão brasileiro, sendo inclusive o responsável pelas cobranças de falta.


O pináculo da carretice foi a seleção brasileira derrotada na Copa de 2010. Mas, apesar do revés, o projeto carola se mantém como carta de navegação do futebol brasileiro. Os Muricys, Parreiras, Dungas, Manos são os timoneiros do desencantamento, germanizadores da brasilidade futebolística.


Um treinador de futebol é sobretudo um bedel interessado em fiscalização e controle, um impertinente. É de se pensar a possibilidade de extinção dessa figura afeita a decretos e burocracias. Apologistas dos ensaios e bolas paradas, os treinadores são o silicone que corrompe o movimento e a espontaneidade, são os coveiros da alegria.


Futebol se aprende em qualquer beco, calçada, portão; e se desaprende nas escolinhas, peneiras. Futebol é fluência e leveza, faz-se por si mesmo, é improviso. A burocracia é a negação da fluência, da leveza e do improviso. É uma lombada antiartística. O futebol brasileiro está se burocratizando. Os pontas murcharam. Os zagueiros se multiplicam como o tráfego. O talento é mutilado, prostituído, transformado em engrenagem. A inflação burocrática corroeu o valor da camisa dez.


Os garotos nascem atacantes e crescem sendo recuados da ponta para lateral, da meia para a zaga e assim vai. O talento regride, burocratiza-se. A categoria totalidade foi expulsa da filosofia e dos gramados. Os grandes meias foram trocados por pranchetas, bolas paradas e jogadas ensaiadas.


O futebol tornou-se pornográfico, perdeu a magia e o encantamento, foi enlatado. Virou filme de roteiro batido. Virou moleque estudioso, que faz lição de casa e acorda cedo. Silicone, fast food e futebol retranqueiro têm tudo a ver.   

JC

terça-feira, 7 de junho de 2011

RelATO – Contra as intervenções imperialistas na Líbia e no Haiti – Centro de São Paulo – 04.06.2011

As intervenções militares imperialistas se intensificaram: Afeganistão, Iraque, Haiti e Líbia estão sob bombas e botas invasoras. Por outro lado, diminuiu a resistência popular fora dos países atacados. Antes dos EUA invadirem o Iraque, em março de 2003, vinte milhões de pessoas tomaram as ruas do mundo para rechaçar a guerra imperialista por petróleo. Oito anos depois os EUA e a OTAN iniciam uma nova guerra, outra vez por petróleo, mas os gritos das ruas estão emudecidos.

A substituição da bestialidade de um Bush pela desfaçatez de um Obama não alterou em nada sanha imperialista, mas serviu para confundir muita gente. O “quem não está conosco está contra”, de Bush, foi substituído pela “guerra humanitária” de Obama, que, paradoxalmente, diz que bombardeia a Líbia para evitar que Kadafi o faça.

O contexto político em que explodiu a guerra civil na Líbia também contribuiu para embaçar as lentes de análise de muita gente. Depois dos levantes populares na Tunísia e no Egito, muitos pensaram que semelhante processo ocorreria em solo líbio, se enganaram. Na Líbia, diferentemente de seus vizinhos, o movimento já nasceu apoiado pelos serviços secretos imperialistas. Diferentemente dos outros países árabes, na Líbia o imperialismo imediatamente hasteou a bandeira da oposição, o fora da Kadafi.

Quando os setores anti-Kadafi se revelaram incapazes de derrotar militarmente o regime líbio, a OTAN não hesitou em se colocar como força aérea e primeira linha de ataque dos opositores. A retórica humanitária serviu para anuviar a coisa em si. O ataque foi vendido como necessário para proteger o povo líbio, e o pior, amplos setores, inclusive da esquerda foram enfeitiçados pelo canto rouco do capitalismo em crise.

Iniciados os ataques confirmou-se o logro. A bandeira hasteada pelo imperialismo era e é exatamente a mesma da oposição de Benghazi, o abaixo Kadafi. As bombas da liberdade despecam engorduradas de petróleo. O objetivo imperialista é substituir um governo por outro mais utilitário, para se abastecer com petróleo e ocupar setores da economia líbia, privatizando o que for possível. Em caso de vitória imperialista as conquistas sociais líbias das últimas décadas regredirão.

Apesar de tudo, neste momento em que as cartas já estão sobre a mesa e não a mais espaço para blefes, setores da esquerda insistem em engroçar o coro imperialista de fora Kadafi. Como se não bastasse, alguns cândidos esquerdistas se esforçam por enxergar revolucionários onde só há golpistas. A ação dos serviços secretos ocidentais em apoio aos líbios de Benghazi, a atuação da OTAN como força aérea destes e o pronto reconhecimento dos governos imperialistas aos golpistas não serviram para desembaçar as lupas de alguns cândidos esquerdistas.

O ataque imperialista à Líbia é mais uma guerra de exaustão. Trata-se de asfixiar  o inimigo destruindo toda sua infraestutura logística e produtiva. Estradas, mídia, represas, hospitais... estão na mira dos mísseis da OTAN. O objetivo declarado dos imperialistas era apenas eliminar a força aérea de Kadafi, o que revelou-se mera peça de retórica, como sempre.

Como de costume, na Líbia os bombardeios midiáticos precederam os mísseis e caças. Foi imposta uma zona de exclusão midiática sobre a Líbia. Kadafi virou monstro e os seus opositores foram transformados em “rebeldes”, apesar de serem quase todos ex-funcionários do regime líbio.

O Haiti foi o tubo de ensaio da retórica imperialista. Os gritos de ocupação humanitária fluíram pelas garngantas das maquiladoras estrangeiras, interessadas na mão de obra haitiana, que é das mais baratas do planeta. Some-se a isso a possibilidade de exportar quase sem tributação para os EUA.

A peculiaridade da ocupação do Haiti é que o trabalho sujo coube principalmente aos países latino-americanos, interessados na raspa do tacho e em ocupar o posto de cães de caça do império. Brasil, Argentina, Bolívia, Equador e outros mandaram seus soldados para o Haiti.

É neste clima nublado e instável que surgiu o Comitê Antiimperialista e o ato contra as intervenções no Haiti e na Líbia. Sete anos após a ocupação do primeiro e dois meses e meio depois do início dos bombardeios sobre o país do norte da África, organizou-se o ato público de repúdio às intervenções imperialistas.

Apesar da dedicação dos lutadores engajados, não conseguimos construir um ato de massas. Estimo que a atividade agrupou cerca de cem pessoas no total. A marcha foi da Praça Ramos até a Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, e reuniu de setenta a oitenta pessoas.


Dialeticamente, o ato demonstrou a fragilidade e a dedicação das forças envolvidas. Por outro lado, politicamente foi uma atividade importante no sentido de furar o bloqueio midiático que encobre a Líbia e o Haiti. As palavras de ordem entoadas foram: “Fora já! Fora já daí! Obama da Líbia e Dilma do Haiti” e “Haiti, Líbia, Afeganistão. É o imperialismo massacrando o meu irmão!”

Enfim. Marcamos posição e registramos que nem todos compactuam com o bombardeio de Obama e com a Ocupação petista de Lula e Dilma. Para sábado 18.06.2011 está marcada a próxima atividade aberta do Comitê, um ato debate contra as intervenções bélicas imperialistas. Todos os lutadores internacionalistas estão convidados.

JC


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Karel Kosik - Dialética do concreto

A totalidade sem contradições é vazia e inerte, as contradições fora da totalidade são formais e arbitrárias. A relação dialética entre contradições e totalidade, as contradições na totalidade e a totalidade das contradições, a concretude da totalidade determinada pelas contradições e a lei própria das contradições na totalidade, constituem um dos limites que separam a concepção materialista da totalidade da concepção estruturalista.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nosso tempo

O imperialismo é um cão latindo contra o futuro. O modo de produção capitalista vai caducando, as potências imperialistas aumentam sua ferocidade, a humanidade naufraga. Querem o petróleo líbio. Querem mão de obra barata do Haiti. Líbia hoje, Haiti sempre, amanhã ninguém sabe.

Chovem bombas da “liberdade” na Líbia. É preciso impor uma democracia engordurada de petróleo, fluido fosco que move a musculatura capitalista. Os caças da OTAN são a força aérea e primeira linha de ataque dos “rebeldes” treinados e financiados pela CIA entre outros serviços secretos. O jargão apologético da grande mídia capitalista transforma golpistas em rebeldes, sempre que convém a si própria e a seus anunciantes.

Incautos repetem o canto de sereia da mídia do capital: “a OTAN deve intervir na Líbia porque Kadafi está atacando seu próprio povo.” Dois meses após o início dos bombardeios o capital retira sua tropa de choque da praça, sua mídia já não repete a legimitação inicial, não é mais necessário, é preciso preservar o discurso para outras oportunidades. A guerra humanitária convenientemente se move para outras bandas, o Irã na mira do fuzil. Mas alguns papagaios de boteco ainda entoam a cantiga de ninar do imperialismo, o mass media sorriem com as bocas empapadas de sangue.

O Haiti é um país empobrecido na marra, asfixiados pelos dólares e pelos soldados invasores. Engaiolaram o fantasma que emana de seu exemplo. Agora se fartam com os lucros da barbárie que promoveram. A cobiça escorre pela barba fedorenta do imperialismo, suas maquiladoras querem mão de obra barata. Não faltam feitores para o trabalho sujo, incluindo governos tidos como progressistas como o argentino, o equatoriano e boliviano. Todos comandos pelos petistas do Brasil. Todos esperando a raspa da panela.

O Brasil surfa nas ondas do redemoinho capitalista, afunda sorrindo, seu povo anestesiado. O consumo se expande via crédito, via traiçoeiras prestações. A bolha imobiliária ofusca a visão de todos, o dinheiro dá em apartamentos vendidos na planta. Até quando? As greves pipocam, os preços pipocam, o crash se aproxima. Mas ninguém percebe, por enquanto.

As potências capitalistas tecem teias que vão do Iraque ao Haiti, do Afeganistão à Líbia. Os capitalistas mordem e assopram, mordem a Líbia, assoparam o Brasil e sugam o sangue de todos. A humanidade agoniza. Ser antiimperialista é ser anticapitalista, o meio termo explodiu há tempos. Contra o insustentável e insuportável mundo velho do capital, é preciso dizer não. Não passarão!

JC